31/05/2020

(Des)Merecimentos

Publicado a: 01. Out, 2015 em Opinião

A crise que vivemos ficará na história como uma das maiores dos últimos 100 anos.

As grandes crises são sempre primeiras, no sentido em que nos confrontam com qualquer coisa que não tem paralelo no passado e que só à medida que as vamos vivendo, vamos compreendendo na sua complexidade.

Não raro, em épocas assim, emergem líderes que se destacam pela maneira como conduzem os acontecimentos. Mas o julgamento histórico sobre a sua conduta é sempre feito a posteriori. Só depois de ultrapassarmos a tempestade é que somos capazes de, olhando para trás, perceber quem esteve bem, quem ajudou a solucionar o problema e quem o agravou.

Durante estes últimos anos, em Portugal e na Europa, alguns falaram em cumprir metas, reforçar a competitividade, repensar o País e o Estado. Outros anunciaram ciclos recessivos, negociações da dívida, abrandamento do esforço, estímulos ao consumo.

Talvez ninguém tenha sido brilhante, mas há uma grande diferença entre eles: uns estavam certos e outros não. Muitos estavam errados. Hollande, Tsipras, Varoufakis, Corbyn ou António Costa. Todos estiveram do lado errado nesta crise. Nuns casos (o francês e o grego) o seu logro custou muito sofrimento e desilusão. Noutros não chegaram a consegui-lo.

Em Portugal, foram muito poucos os que no PS foram capazes de assumir a sua responsabilidade. Ao contrário do que sucedeu com os socialistas alemães no encarar da crise, a “ala” que empurrou António Costa nunca quis quaisquer consensos e não descansaram enquanto não descartaram o único alcançado pelo seu antecessor – o da reforma do IRC. Disponíveis para subsidiar qualquer motim, nunca se preocuparam verdadeiramente com a rota certa.

Em Portugal, tudo indica que os portugueses, gostem ou não gostem do Governo, estejam ou não com ele reconciliados, entenderam muito bem isto mesmo. E mais uma vez querem Portugal do lado certo da História.

A coligação Portugal à Frente vai ganhar, porque merece ganhar. Não porque tenha estado sempre bem – não esteve. Não porque a sua coesão tenha sido exemplar– não foi. Não porque os seus líderes sejam o tipo de líderes a que todos nós aspiramos – e para muitos de nós não são. O Governo merece ganhar, apesar de tudo, por uma questão de Justiça. Porque soube estar onde tinha de estar, contra ventos e marés e a maioria das vezes com o apoio de muito poucos. Com  a sua perseverança, mais ou menos trôpega, pouparam-nos a muito maior sofrimento. Vai ganhar, pois, porque merece ganhar.

Mas uma vitória não garante tudo o que Portugal precisa, sobretudo se remeter para a ingovernabilidade. Os portugueses foram exemplares durante a crise. Adaptaram-se e foram à luta. É isto que nós queremos: tratar da vida, sem dramatismos. Não queremos pôr a política e os partidos no centro do dia-a-dia e já estamos fartos da berraria desta campanha. Durante a tempestade fomos exemplares, merecemos ser poupados ao dispensável.

Assim tudo se resume nesta oração: Que o Governo ganhe, porque merece; Que seja com maioria, porque os portugueses o merecem.

Filipe Anacoreta Correia

Nota: As opiniões aqui expressas são pessoais e vinculam unicamente o seu autor

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