20/09/2019

Mudar a Bem

Publicado a: 11. Mar, 2015 em Opinião

Mudar a Bem

Se há 5 anos se tentasse prever ninguém acreditaria. Em Espanha, na Grécia ou mesmo em França.

Há pouco mais de 5 anos, os dois partidos gregos do centro recolhiam juntos cerca de 80% dos votos. O mesmo acontecia em Espanha praticamente há mais de 25 anos.

Em França – apesar de tudo, um País particular, neste âmbito -, também os partidos moderados eram invariavelmente os mais votados. Apenas em 2002 a Frente Nacional tivera pouco mais do que 17% contra Chirac, com grande alarme nacional.

Ninguém adivinharia que num tão curto espaço de tempo o panorama se alterasse tão abruptamente.

Em Espanha, dois novos Partidos disputam o espaço principal, sendo que há sondagens que dão a vitória à extrema-esquerda. O mesmo se passa em França, mas do outro lado da barricada: Le Pen está à frente nas sondagens e pode vir a ser a próxima ocupante do Eliseu.

Neste contexto não é de estranhar que a solução de Governo grego tenha passado por uma aliança de extremos (de esquerda e de direita).

O que se passa na Europa? E de que esperamos nós em Portugal para nos inquietar?

As circunstâncias complexas do mundo em que vivemos – uma europa envelhecida e civilizacionalmente decadente num mundo global com economias e dinamismos emergentes – sugerem mudanças profundas. São mudanças que não serão nunca fáceis e com um grande impacto junto dos mais vulneráveis.

Ao contrário do que era necessário neste contexto, temos assistido a lideranças fracas, de uma enorme plasticidade. Fenómenos de corrupção grave têm surgido, à esquerda e à direita, em diversos países da Europa, comprometendo a confiança nas instituições. E a democracia, um pouco por todo o lado, tem-se afirmado na mentira. Ganham-se eleições com promessas impossíveis. Os regimes dão sinais de estarem podres e incapazes diante do declínio. Apenas o poder – e não o serviço das causas e do País – parece fazer  correr os aparelhos partidários.

É neste contexto que reunimos, hoje, com algumas centenas de pessoas no Fórum Lisboa. O momento presente é de emergência nacional e é também de mudança. “Mudar a bem” é o propósito de quem considera que é preciso rasgar novos horizontes, sem cair em extremismos estéreis e ilusórios, que apenas multiplicarão sofrimentos.

É preciso, desde logo, olhar, ver a realidade. E é preciso encarar a mudança de frente. Só se extremam posições quando aquilo que se diz há demasiado tempo não encontra interlocutor.

Mudar a bem é, pois, um apelo a mais verdade na apresentação de caminhos éticos para a sustentabilidade da segurança social. É também a exigência de compromisso com a reforma do Estado. E é inevitavelmente a aspiração de mudanças no próprio sistema político e eleitoral. É, no fundo, a vontade de ver um projeto mobilizador de centro-direita que sirva Portugal.

Não podemos encarar as próximas eleições como apenas mais umas, como se o tempo fosse uma máquina, sem sobressaltos, imune à agitação do instante. Temos de as perspectivar como uma oportunidade de repensar o nosso próprio espaço político.

Só assim valerá a pena reforçar a única maioria – a dos portugueses – capaz de avançar, sem regressos ao passado. Só assim estaremos a contribuir para travar a erosão do espaço democrático.

Filipe Anacoreta Correia

7 Março
Expresso

Veja aqui o registo vídeo integral do Encontro “Mudar a Bem”

Veja aqui galeria de fotos do Encontro “Mudar a Bem”


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