19/07/2019

Votar no PSD ou no CDS?

Publicado a: 09. Mai, 2011 em Opinião

Votar no PSD ou no CDS?

Pedro Passos Coelho defendeu hoje que os votos em outros partidos à direita são votos desperdiçados. A tese tem sido aliás ensaiada por vários dirigentes do PSD. Ora, a apologia do voto útil à direita, nestas eleições em particular, não faz qualquer sentido e apenas pode representar um sinal de fraqueza de quem o solicita.

Todas as sondagens demonstram que nem o PS nem o PSD podem almejar sozinhos a uma maioria absoluta. Sabendo que o Presidente da Républica não irá nomear nenhum PM que não esteja suportado por uma maioria parlamentar o próximo Governo terá de ser suportado por uma coligação governamental ou por acordo de incidência parlamentar. A solução que parece mais viável será a de um acordo à direita do PS, entre o CDS e o PSD. Neste contaxto não faz sentido que o PSD estar a apelar a eleitores do CDS para votarem útil no PSD

No nosso sistema eleitoral, por via das regras de conversão de votos em deputados, os partidos que obtenham menos de 16% dos votos têm uma percentagem de deputados eleitos inferior à percentagem de votos, enquanto nos partidos com mais de 16% dos votos, a percentagem de deputados eleitos é superior à percentagem de votos. Actualmente BE, CDU e CDS recolhem no conjunto 29% dos votos mas elegeram apenas 22% dos deputados, enquanto PS e PSD com 65% dos votos elegeram 78% dos deputados.

Assim quanto mais o CDS se aproximar dos 16% menos percentagem de votos será necessária para que PSD e CDS consigam eleger 116 deputados. Com um CDS na casa dos 5% será necessário que o conjunto PSD/CDS recolham 48% dos votos. Se o CDS recolher 10% a maioria absoluta PSD/CDS será possível com 47% dos votos. No entanto se o CDS conseguir chegar a votações de 15% a maioria PSD / CDS é atingida com apenas 46% dos votos.

Muitos dirão que uma grande votação no CDS pode ter como consequência que o PS possa ser o partido mais votado. Mesmo não acreditando que alguma vez o PS possa ser o partido mais votado na verdade, se PSD e CDS elegerem juntos mais de 115 deputados é indiferente qual é o partido mais votado. Nada na nossa Constituição indica que o Presidente da República tem de nomear um P.M. vindo partido mais votado. O P.R. deve nomear o P.M. tendo em conta os resultados das eleições. Se o CDS e o PSD juntos elegerem mais do que 115 deputados não haverá qualquer maioria à esquerda pelo que PSD e CDS serão, obviamente, chamados a uma solução governativa.  Esta solução seria original em Portugal mas é comum na Europa. Mesmo aqui ao lado em 2009 o PNV foi o mais votados nas eleições bascas mas o Governo é presidido pelo PSOE no âmbito de uma coligação com o PP. Também em 2005 o PP de Fraga Iribarne foi o partido mais votado na Galiza mas Fraga deixou de ser o Presidente do Governo da Galiza por força de uma coligação entre o PSOE e Bloco Nacionalista Galego.

Nesta perspectiva o CDS seria o voto estrategicamente mais racional porquanto é o que permite contribuir para uma maioria à direita do PS com menor percentagem de votos.

Mas defendo eu o voto útil no CDS ? Nem por sombras. Quem se revê mais no programa e na equipa do PSD deve votar no PSD e não no CDS. De igual modo quem entende que o CDS apresenta melhores condições para contribuir para as reformas que Portugal necessita deve votar no CDS. Ambos devem apelar ao voto com base nas suas ideias programas e equipas e cabe aos portugueses escolher.

Pedro Pestana Bastos, daqui

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